Proposta de Redação
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Desafios para a implementação da energia nuclear no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
Segurança Nuclear
De todas as atividades industriais, a geração nuclear é uma das que oferece menos risco. Em 30 anos de operação das usinas de Angra, nunca houve um acidente ou evento que pusesse em risco os trabalhadores das usinas, a população ou o meio ambiente da região.
A segurança é um compromisso que está cristalizado na Política de Gestão Integrada da Eletronuclear. Ela é prioritária e precede a produtividade e a economia, não devendo nunca ser comprometida por qualquer razão.
Por lidar com uma forma de energia muito potente, a segurança das instalações nucleares vai muito além das grossas paredes de aço e concreto que cercam nossos reatores. Segurança nuclear é um processo contínuo que não envolve apenas componentes e estruturas, mas também pessoas e organizações.
As usinas nucleares contam com sistemas de segurança passivos, que entram automaticamente em ação para impedir acidentes e, também, desligar e resfriar o reator em situações de emergência. As usinas contam ainda com duas barreiras protetoras que protegem fisicamente o reator: uma externa, de concreto, e outra interna, de aço. Essas paredes de contenção protegem as usinas contra fatores externos, como terremotos, maremotos, inundações e explosões, e também o aumento de pressão no interior da
usina.
A Eletronuclear tem na segurança um dos pontos mais relevantes de sua cultura organizacional, norteando todas as atividades da empresa, mesmo as que, aparentemente, nada tem a ver com a questão. Um dos principais conceitos empregados é o de defesa em profundidade, ou seja, barreiras em série, como em uma corrida de obstáculos. Elas funcionam através dos sistemas operacionais, de segurança e de instrumentação e controle de uma usina. O risco não é eliminado totalmente, mas reduzido a níveis baixíssimos.
AS DEFESAS EM UMA USINA NUCLEAR PODEM SER DE TIPOS DIFERENTES. ELAS PODEM SER:
de Projeto – Este conjunto de barreiras engloba os cuidados que são tomados antes mesmo da escolha do local onde a usina será construída. São analisados todos os possíveis riscos inerentes ao empreendimento, até mesmo os mais improváveis, como terremotos ou a queda de um avião sobre as instalações nucleares.
Físicas – Nesta categoria, estão incluídas todas as proteções utilizadas para conter ou minimizar os níveis de radiação inerentes ao funcionamento do reator nuclear. Essas barreiras vão desde a própria estrutura molecular da pastilha de combustível até as grossas paredes de aço e concreto que cercam todo o circuito primário da usina.
de Processo – Essas barreiras garantem a segurança do trabalho humano e sua interação com a máquina, estabelecendo rotinas de trabalho e procedimentos administrativos e operacionais. Nesta categoria, estão incluídos itens como os programas de testes periódicos; os procedimentos de trabalho (operação, manutenção, engenharia, treinamento, química, proteção radiológica, gestão); e processos de avaliação interna e externa.
Organizacionais – Aqui estão os controles legais e institucionais relativos à segurança. Elas incluem leis específicas de âmbito nacional e internacional, a existência de um órgão regulador – no caso brasileiro, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) – e de acordos com organismos nacionais e internacionais. Além disso, a Política de Gestão Integrada de Segurança da Eletrobras Eletronuclear preconiza que a segurança nuclear é mais importante do que a produtividade ou a economia da empresa. Esse é um compromisso que envolve todos os trabalhadores da organização e se reflete numa forte cultura de segurança.
Disponível em: <https://www.eletronuclear.gov.br/Seguranca/Paginas/Seguranca-Nuclear.aspx>
TEXTO II
Energia nuclear é “energia verde”? Sim, e físico explica por quê
O avião é o meio de transporte mais seguro que existe. E, acredite, o mesmo pode ser dito em relação às usinas nucleares. Embora permaneçam na memória acidentes como os de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986; e em Fukushima, no Japão, em 2011, ocorrências como essas são raras.
E até quem sempre criticou a energia nuclear se convenceu. “A energia nuclear é a mais segura de todas as tecnologias de eletricidade que temos”, afirnou recentemente ao canal de TV estadunidense News Nation ninguém menos que Patrick Moore, um dos fundadores do Greenpeace. Durante muito tempo, a ONG teve a energia nuclear entre seus maiores alvos de críticas.
De grande vilã dos ambientalistas, hoje a geração de energia elétrica via usinas nucleares tem sido cada vez mais aceita por especialistas e defensores das chamadas “energias verdes”. A história do mundo contemporâneo se divide em antes e depois da descoberta da fissão nuclear. E a mesma reação que está por trás de uma bomba de alto poder destrutivo pode também ser utilizada, de forma controlada, para a geração de energia elétrica.
No final de junho, a IEA (sigla em inglês para Agência Internacional de Energia) afirmou oficialmente que o mundo precisa dobrar sua capacidade de geração de energia nuclear até 2050 para atingir as metas de frear o aquecimento global e manter em 1,5 ºC a crescente elevação da temperatura do planeta.
Os efeitos das mudanças climáticas se devem, em grande parte, ao uso de combustíveis fósseis, como o petróleo e seus derivados. E ainda que essa relação direta seja debatida, com avanços na produção dos carros elétricos e híbridos, há um clamor nos países ricos por uma energia que seja mais “verde”. Gigantes da indústria multinacional têm se adaptado a esse novo modo e exemplos não faltam.
Por que apostar
Mas algumas autoridades no assunto defendem que, se quisermos levar a sério a segurança na geração de energia e a preservação do meio ambiente, devemos necessariamente considerar a energia nuclear.
É o que pensa, por exemplo, o professor de engenharia nuclear Jacopo Buongiorno, do prestigiado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Segundo ele, para que o tema seja recolocado em pauta, é preciso que haja redução de custos na implantação de novas usinas e modernização das que já existem. Afinal, a energia nuclear é uma das formas mais baratas disponíveis em relação a custo e eficiência de geração.
Atualmente, porém, há muitos atrasos e empecilhos burocráticos impedindo maior dinamismo na implementação dessas usinas e investimentos da iniciativa privada. A França, por exemplo, gera 80% de sua eletricidade a partir das usinas nucleares; já os Estados Unidos produzem apenas 20%.
Ao todo, 44 novas usinas estão em construção em diversos países. Entre eles o Brasil, com a retomada das obras da usina de Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Nosso imenso potencial hidrelétrico levou o país durante décadas a desconsiderar a importância de se investir em energia nuclear.
Vale lembrar que usinas hidrelétricas não são formas “verdes” de geração de energia. Há um impacto ambiental enorme, primeiro com barragens e alagamentos de grandes áreas de florestas. Depois, todo material orgânico que ficou submerso apodrece e gera enorme emissão de gases de efeito estufa. Isso sem contar o custo altíssimo das construções.
Do ponto de vista ambiental, a energia nuclear é imbatível. Sem expelir gases poluentes, não libera nada na atmosfera — nem dióxido de carbono (CO2), nem enxofre, nem mercúrio. Também precisa de pouco espaço. Uma usina de reator duplo que ocupa cerca de 400 mil metros quadrados tem capacidade de abastecer 2 milhões de residências. É o caso, por exemplo, de Angra 1 e Angra 2, que juntas podem fornecer energia elétrica para mais de 3 milhões de residências.
Disponível em: <:https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2022/08/energia-nuclear-e-energia-verde-sim-e-fisicoexplica-por-que.html>
TEXTO III



