Proposta de Redação
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Caminhos para controlar os efeitos da gentrificação no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
Imagine um bairro periférico ou, até mesmo, central, porém desvalorizado e habitado por pessoas de baixa renda. Agora imagine que, por algum motivo, pessoas com poder aquisitivo elevado passem a se mudar para essa região. Com a chegada de uma classe mais favorecida economicamente, esse bairro começa, pouco a pouco, a atrair comércio, infraestrutura, investimento e desenvolvimento, proporcionando uma transformação do espaço com diversos benefícios que antes não existiam ali. De repente, esse bairro já não tem mais as características de um espaço popular, mas, sim, de um bairro nobre. Com toda a alteração na paisagem urbana, muda-se também o custo de vida na região. Esse novo orçamento é condizente com o padrão de vida desses novos moradores, mas os antigos já não conseguem mais se sustentar ali. Com renda incompatível com o custo de viver naquela região, a solução é se mudar. Você está diante de um fenômeno socioespacial chamado gentrificação. A palavra vem da expressão inglesa gentrification, que, por sua vez, vem de gentry, que quer dizer nobreza. Gentrificação, portanto, pode ser definida como enobrecimento do espaço: um conjunto de transformações que ocorre com ou sem intervenção governamental e provoca o êxodo da população local por fatores socioeconômicos. A expressão foi utilizada pela primeira vez na década de 1960, pela socióloga britânica Ruth Glass, ao analisar as transformações imobiliárias em determinados distritos londrinos, quando pessoas de status mais elevados começaram a se mudar para locais onde antes só moravam trabalhadores. Esse processo elevou o preço imobiliário do local e acabou expulsando os antigos moradores: a classe operária.
Disponível em: <https://www.observatoriodasmetropoles.net.br/o-processo-de-gentrificacao-em-dois-bairros-de-belo-horizonte/>
TEXTO II
As imagens de terror da Favela do Moinho, em São Paulo, ao longo do mês de maio, que mostraram demolições de casas sem acordo com os moradores e principalmente violência policial, chocaram as redes nas últimas semanas. A história do provável fim da última favela do centro da capital paulista é uma faceta do processo de gentrificação em curso na área dos Campos Elíseos, levada a cabo pelo governo estadual, comandado por Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e apoiada com entusiasmo pela prefeitura da cidade liderada por Ricardo Nunes (MDB).
Mas o que é afinal a gentrificação? Esse processo pode ser explicado como a expulsão — por diversos meios — da população trabalhadora de uma região, que vai aos poucos sendo tomada por moradores mais ricos. No caso dos Campos Elíseos, que é só um dos exemplos deste processo comum a diversas cidades no Brasil e no mundo, Tarcísio de Freitas quer transferir a sede do governo estadual para a região.
O plano é construir um novo complexo administrativo, que prevê a demolição de um terminal de ônibus e a transformação de uma praça e seu entorno em uma esplanada com novos edifícios para centralizar todas as secretarias, fundações e autarquias estaduais. Mas para que esse plano dê certo, é preciso tirar tudo da frente. E na frente, há pessoas. É possível argumentar que a ideia de ocupar Campos Elíseos, e não qualquer outra área com infraestrutura já construída para abrigar as estruturas do governo do estado, tenha surgido justamente para tirar as pessoas da frente. Nesse caso, especialmente as da Cracolândia. Ao instalar a sede do governo nos Campos Elíseos e acabar com a Cracolândia e a Favela do Moinho, Tarcísio estará colocando em movimento o processo de gentrificação da área.
De modo geral, com a retirada dos mais pobres dos bairros, aqueles considerados pela normatividade como indesejáveis, a região em questão fica atrativa para novos moradores com rendimentos mais altos. A brecha é, então, aproveitada pelo grande capital imobiliário. Para que haja novos moradores, é preciso que os imóveis antigos sejam substituídos por novos. Agora vazias, as casas antigas são demolidas para dar lugar a novas torres de apartamentos e a comércios elitizados.
Esse processo acaba por tornar a vida dos moradores de menor poder aquisitivo, que eventualmente possam ter restado, praticamente impossível. Alimentos e outros gêneros de primeira necessidade ficam mais caros. Há pressão do mercado imobiliário sobre a moradia, seja por assédio para que os moradores vendam seu imóvel, seja por aumento no preço dos aluguéis, uma vez que os proprietários da região enxergam no processo uma oportunidade para aumentar seus rendimentos. O acesso a serviços públicos pode ser prejudicado (já que os novos moradores têm menos necessidade de atendimento pelo serviço público, e UBSs, escolas e Caps muitas vezes funcionam em imóveis alugados, que também sofrem com pressão imobiliária).
Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2025/05/29/bdf-explica-o-que-e-gentrificacao-e-o-que-isso-tem-a-ver-com-o -fim-da-favela-do-moinho-e-a-dispersao-da-cracolandia/>
TEXTO III

Disponível em: <https://tab.uol.com.br/gentrificacao/>


