Proposta de Redação
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Esporte e política: como ambos se misturam e se influenciam
no Brasil”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
Sócrates, o jogador que criou uma democracia própria em meio à ditadura
Quem se maravilhava com os geniais passes de calcanhar de Sócrates dentro de campo já entendia que aquele era um jogador ímpar também fora das quatro linhas. Com um nome que carregava a intelectualidade do filósofo grego e a devoção por seu país, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira ficou marcado na história como o jogador de futebol mais politizado do Brasil.
O meio-campista, que também se formou médico pela Universidade de São Paulo (USP), começou a jogar no Botafogo de Ribeirão Preto, mas foi no Corinthians que ele ganhou notoriedade, em pleno período de Ditadura Militar (1964 a 1985). Pelo futebol que jogava e também pelas suas ações fora de campo. Em meio ao regime em que o povo não podia participar nem se manifestar, fundou dentro do Corinthians, com Wladimir e Casagrande, uma democracia paralela, na qual todos – dos roupeiros e motoristas aos dirigentes e presidente – tomavam, juntos, as decisões do clube, de forma coletiva e democrática. O jogador também participou ativamente da campanha ‘Diretas já’, que exigia a volta das ele.
[…]
Logo nos primeiros anos de Corinthians, Sócrates mostrou a que viera. Inconformado com a mordaça imposta pela ditadura aos cidadãos brasileiros, junto com seus companheiros de clube Wladimir e Casagrande iniciou dentro do clube a construção de seu próprio sistema democrático, que viria a ser chamado de Democracia Corinthiana. Com o lema ‘ganhar ou perder, mas sempre com democracia’, ele assim justificou a criação do movimento:
“Vamos participar todos das decisões coletivas, vamos tentar fazer com que nada venha de cima para baixo, porque as melhores soluções sempre estão com quem está com a mão na massa, em qualquer ambiente corporativo que seja. Em qualquer sociedade é assim. Quem põe a mão na massa sabe onde tem problema e qual é a solução. ‘Diretas Já’ “
O movimento levou Sócrates e seus companheiros a lutarem pela democracia também do lado de fora dos muros do Corinthians. Eles participaram ativamente da campanha pela volta dos direitos civis dos brasileiros fora dos campos, que ficou cunhada na história como ‘Diretas Já’.
Ao lado de artistas, jornalistas e outros ativistas, os jogadores discursaram no palanque, estamparam em suas camisas frases pela volta da democracia e ele passou a comemorar seus gols com o punho erguido e cerrado, símbolo da luta das classes trabalhadoras. Por suas atividades e opiniões políticas, Sócrates chegou a ser fichado pela polícia política da ditadura militar, juntamente com seu colega Casagrande.
TEXTO II
‘Genocídio não é esporte’: Movimentos pressionam Fifa para banir seleção de Israel
Campanha se junta aos esforços que cobram do Comitê Olímpico Internacional sanções a Israel nos Jogos de Paris 2024
Às véseras de uma reunião do Conselho da Fifa que deve ocorrer neste sábado (20) para analisar argumentos jurídicos sobre o possível banimento de Israel da federação, um movimento de torcedores pressiona a entidade pela exclusão da seleção israelense de futebol das suas instâncias sob o slogan “Genocídio não é esporte!”.
“Enquanto Gaza continua a ser destruída e massacrada, os times israelenses continuam a ser aplaudidos nos estádios. 231 jogadores de futebol, incluindo 66 crianças, foram mortos pelo exército genocida israelense. Milhares de pessoas foram amputadas e feridas”, denunciam.
A campanha se junta aos esforços que cobram do Comitê Olímpico Internacional (COI) sanções a Israel na competição devido aos ataques contra a população palestina na Faixa de Gaza.
O massacre – considerado genocídio por pelo menos 13 países – já causou mais de 38 mil mortes, mas a entidade esportiva se protege juridicamente atrás da “solução de dois Estados”, já que os Comitês Olímpicos nacionais israelense e palestino “coexistem” (ao menos na teoria), desde 1995.
Apesar de os bombardeios israelenses terem destruído as principais instituições esportivas em Gaza e matado personalidades palestinas do mundo olímpico, nunca esteve em discussão, no âmbito do COI, que os atletas israelenses deveriam ser punidos ou o país sofrer qualquer sanção. Já a invasão russa da Ucrânia com o apoio de Belarus em fevereiro de 2022 teve como resposta do COI o banimento de atletas russos e bielorrussos de quase todo o esporte mundial, veto que durou até março de 2023.
Organizações de direitos humanos apontam como precedente para a punição de Israel pelo COI, com o caso da África do Sul durante o regime de apartheid, quando o país chegou a ficar de fora dos Jogos Olímpicos em duas ocasiões: 1964 e 1992.
TEXTO III



